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Data de Publicação 04/11/2019 - 15:32 Atualizado em 04/11/2019 - 15:37 646 visualizações

Cientistas descobrem melanina fossilizada em réptil do tempo dos Dinossauros

Por Tamíris Centeno Pereira da Rosa

Embora ainda muito longe de Jurassic Park, pesquisadores descobrem que moléculas biológicas podem estar preservadas em fósseis brasileiros de centenas de milhões de anos. O grupo multinacional é liderado pelo professor da Universidade Federal do Pampa (Unipampa), Felipe Pinheiro, e pelo estudante de doutorado da Universidade de São Paulo (USP), Gustavo Prado, acaba de anunciar a descoberta de melanina fossilizada na crista do pterossauro Tupandactylus, réptil voador que conviveu com os dinossauros, há cerca de 110 milhões de anos, no que hoje é o sul do Ceará.

O estudo, que contou com a participação de pesquisadores do Japão e Estados Unidos, foi publicado nesta segunda-feira,4, no periódico científico Scientific Reports, do grupo Nature. Trata-se da mais completa caracterização química de uma biomolécula fossilizada em um réptil. A pesquisa foi financiada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).

“Embora sempre soubéssemos que os fósseis encontrados na região da Chapada do Araripe eram especiais em termos de preservação, foi uma surpresa quando as análises químicas mostraram que a melanina do bicho ainda estava lá. Parece que o pterossauro morreu ontem”, relata Felipe Pinheiro.

Tupandactylus era um pterossauro de médio porte, podendo chegar a três metros de envergadura. É um fóssil relativamente comum na Chapada do Araripe, com vários crânios já descobertos. Uma peculiaridade do bicho é a enorme crista em forma de vela que ele levava na cabeça. A estrutura provavelmente ajudava o animal a atrair parceiros, e foi dela que os cientistas extraíram o pigmento.

“A melanina é uma das moléculas mais resistentes aos processos de fossilização. Enquanto os outros compostos são degradados com o passar do tempo, esse pigmento resiste de forma mais ou menos intacta”, explica Gustavo Prado, que é especialista em pigmentos fossilizados.

E daria pra saber que cor teria o animal? Os cientistas são um pouco céticos: “É complicado”, diz Pinheiro. “São muitos fatores envolvidos na coloração de um animal, e a melanina é só um deles”. Estudos anteriores reconstruíram a cor de aves e dinossauros com base na forma dos melanossomos, organelas responsáveis por armazenar melanina. A ideia é que o formato dos melanossomos poderia indicar a coloração. A caracterização química da melanina do Tupandactylus mostrou que não é bem assim. “Não encontramos correlação entre o formato dos melanossomos e o tipo de melanina identificada no pterossauro”, diz Prado.

O grupo de pesquisadores continua investigando a preservação excepcional de fósseis da Chapada do Araripe, e várias novidades ainda estão por vir. “Aos poucos ficamos cada vez mais próximos desses animais incríveis”, diz Pinheiro.

* Com informações de Felipe Pinheiro

    • A melanina fossilizada foi encontrada na crista do pterossauro Tupandactylus. Arte: Marcio Castro
      A melanina fossilizada foi encontrada na crista do pterossauro Tupandactylus. Arte: Marcio Castro
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