Evento reúne mais de 120 participantes e impulsiona rede por alimentos saudáveis e sustentáveis
*Com informações de Fernando Goss, Embrapa Pecuária Sul
Seminário realizado nos dias 28 e 29 em Bagé (RS) resultou na formação de uma rede para promover sistemas agroalimentares mais saudáveis e sustentáveis. Formada inicialmente por cinco redes já existentes, o objetivo é elaborar estratégias envolvendo diferentes atores para uma cooperação científica, tecnológica e produtiva que leve a uma transição para novos modelos de produção e consumo de alimentos. Promovido pela Embrapa Pecuária Sul, Universidade Federal do Pampa (Unipampa) e Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul (Unijuí), o seminário “Transição para Sistemas Agroalimentares Saudáveis e Sustentáveis: Qual o Mapa do Caminho?”, reuniu mais de 120 pessoas no auditório do Campus de Bagé da Unipampa.
O evento é um dos resultados de uma cooperação entre a Embrapa, Unipampa e Unijuí, que no final do ano passado criou uma rede com foco na transição para sistemas alimentares saudáveis e sustentáveis. De acordo com um dos organizadores do evento, o pesquisador da Embrapa Pecuária Sul Marcos Borba, a partir dessa rede será possível articular ações que possam incidir nos atuais modelos de produção e comercialização de produtos alimentares.
“A ideia é formar uma rede de redes que reúna atores e instituições que promovam ações visando maior sustentabilidade dos sistemas alimentares”, ressaltou o pesquisador. Inicialmente formam essa estrutura as seguintes redes: Rede Gaúcha de Pecuária Familiar Agroecológica, Rede Ecovida de Agroecologia , Rede de Bioinsumos da Agricultura Familiar Camponesa, Rede Leite e Rede Saúde Única/RS.
Na abertura do evento, a vice-reitora da Unipampa, Francéli Brizolla, ressaltou a importância da iniciativa principalmente diante de uma realidade de mudanças climáticas. “Precisamos de alternativas que tenham como meta contribuir com a saúde do planeta como um todo''. Já a Diretora de Inovação, Negócios e Transferência de Tecnologia da Embrapa, Ana Euller, destacou a importância da pesquisa e da ciência nesse processo, mas ressaltou que é preciso repensar e reorientar a inovação a partir dos territórios. Da mesma forma, o professor de Unijuí, Osório Luchese salientou que muitos dos caminhos para essa transição devem levar em consideração os contextos locais e territoriais para o processo.
O primeiro painel do seminário teve como título “Quem são os principais atores da mudança?”, abordando os papéis da sociedade civil e do Estado no processo de transição. Participaram dos debates a diretora da Embrapa, Ana Euller; superintendente do MDA/RS Milton Bernardes; a presidente do Consea/RS, Any Moraes; Matheus de Ávila, do MAPA e Maurício Kasper da Rede Ecovida de Agreoecologia.
O segundo painel “Por que os sistemas agroalimentares devem mudar”, teve a coordenação do pesquisador Marcos Borba e palestra do professor da UFRGS, Sérgio Schneider. Na sequência foi realizado o painel “Ideias, conceitos e práticas emergentes dos Sistemas Agroalimentares Sustentáveis”, coordenado pelo professor da Unijuí José Antônio Gonzales da Silva e que teve como painelistas John Wilkinson, professor, Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) e Biagio Fernando Giannetti, professor da Universidade de São Paulo (USP).
Ainda no primeiro dia do seminário aconteceu o painel “Bases e princípios da transição agroalimentar sustentável”, coordenado por Roberto Carbonera, professor da Unijuí e participação do pesquisador da Embrapa Agrobiologia. Mauro Sérgio Vianello Pinto e de Maurício Piccin, do Grupo Associado de Agricultura Sustentável (GAAS).
No dia 29 a programação começou com uma mesa sobre territórios, atores e perspectivas da transição com a participação de Vinicius Piccin Dalbianco da Unipampa, Cátia Grisa – Professora da UFRGS e Pedro Luís Büttenbender professor da Unijuí. E para finalizar foi realizado o painel “Sistemas Agroalimentares Sensíveis à Saúde”, coordenado pela pesquisadora da Fundação Osvaldo Cruz (Fiocruz) Joyce Schramm e com participação dos professores Nádia Rosana Fernandes de Oliveira (Unipampa) e Tiago de García Nunes da Universidade Católica de Pelotas.
Como encerramento, foi realizado uma sistematização dos debates e também encaminhamentos para novas ações. Nesse sentido, será formalizado um documento sobre o seminário, a formação e atuação da rede. Também ficou definido que será feita uma publicação com os trabalhos apresentados no seminário. Outra ação, será a definição entre os participantes de uma proposta de governança, que coordene ações e que possibilite intervenções nos territórios visando a transição dos sistemas agroalimentares. E, por fim, a coordenação ressaltou que serão buscadas outras redes já existentes para somar ao esforço, aumentando a representatividade e capacidade de atuação.
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