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Data de Publicação 12/11/2021 - 07:24 Atualizado em 12/11/2021 - 07:24 288 visualizações

Parent in Science recebe Prêmio Nature Para Mulheres Inspiradoras na Ciência

Quatro pesquisadoras da Unipampa participam do movimento

A editora britânica Nature anunciou, em uma cerimônia virtual, nesta quinta (28), o movimento brasileiro Parent in Science como a iniciativa vencedora do prêmio "Mulheres Inspiradoras na Ciência", na categoria Science Outreach, pelo trabalho desenvolvido na sistematização de dados e luta pela implantação de políticas de apoio às mães na academia. Quatro professoras da Universidade Federal do Pampa (Unipampa) participam do núcleo central do “Parent in Science”. A abertura para as discussões na instituição iniciou na criação, em 2020, do Grupo de Trabalho (GT) - Mulheres na Ciência, ligado a reitoria, que propõe adoção de políticas, ajustes nos editais internos e nos processos seletivos para considerar o impacto da maternidade sobre a vida da mulher na academia.

O prêmio, que pela primeira vez é concedido a um grupo brasileiro, é uma parceria da editora Nature com a companhia Estée Lauder. O objetivo da iniciativa é celebrar e apoiar as conquistas das mulheres na ciência e de todos aqueles que trabalham para encorajar meninas e mulheres jovens a se envolverem e permanecerem na ciência.

O Movimento Parent in Science surgiu em 2016 com a missão de mudar a forma como a parentalidade, e mais especificamente a maternidade, é percebida na área acadêmica, lutando por um ambiente científico mais igualitário, diverso e justo. Com a premiação, o movimento ganhou US$ 40 mil, além do convite para apresentações e mentorias na empresa Estée Lauder.

De acordo com uma das professoras da Unipampa que fazem parte do projeto, Alessandra Tamajusuku, a premiação mostra que as pautas e ações para considerar a parentalidade no meio científico e diminuir a desigualdade de gênero, são genuínas e necessárias não só no Brasil, mas no mundo todo. “Traz visibilidade internacional para o movimento Parent in Science e as nossas instituições nas discussões acerca dos temas relacionados às Mulheres na Ciência. Ao mesmo tempo, nos compromete a continuarmos trabalhando para incluir a questão da maternidade nas políticas públicas das universidades e órgãos de fomento”, ressalta ela.

Para a docente da Unipmapa, Giulia Wiggers, a conquista do Prêmio Nature para mulheres inspiradoras na ciência traz reconhecimento e visibilidade a cientistas brasileiras que buscam retratar o impacto da maternidade na carreira acadêmica. “Mais do que isto é um reconhecimento internacional do trabalho de mulheres que buscam e propõem ações práticas para reduzir a disparidade de gênero na ciência”, pontua.

Outra participante do gurupo, a pesquisadora da Unipampa, Eliade Ferreira Lima, explica que o Prêmio Nature para Mulheres Inspiradoras na Ciência coloca em evidência as ações que vêm sendo realizadas pelo Parent in Science na tentativa de mudar a forma como a academia vê a maternidade e garantindo que nenhuma mulher tenha que escolher entre sua carreira e sua maternidade. “Trazer o debate da maternidade para a Ciência e sobretudo para ambiente acadêmico da Unipampa só tende a tornar a nossa Universidade mais plural, inclusiva e igualitária”, explica ela.

Segundo a professora da Unipampa, Pamela Carpes, as mulheres enfrentam muitas dificuldades que influenciam na velocidade da progressão na carreira científica e podem fazer as pesquisadoras desistir da área.  Ela explica que o movimento vem coletando dados sobre a produtividade dos cientistas brasileiros, com a finalidade de quantificar o impacto da parentalidade. Os dados, além de gerarem importantes publicações, têm sido fundamentais para subsidiar a elaboração de políticas públicas que ajudam a promover um ambiente científico mais justo e diverso, colaborando com uma ciência mais criativa e inovadora. “Estamos mudando a forma como a comunidade científica vê a maternidade e as cientistas que são mães. Estamos tornando o ambiente acadêmico menos brutal e mais justo para com elas. E a Unipampa tem sido uma das instituições de ensino abertas às propostas do Parent. Fomos uma das primeiras universidades a considerar a licença maternidade na avaliação do currículo das cientistas mães para promover uma comparação mais justa com os pares”. Hoje, na instituição, todos os editais e chamadas institucionais que envolvem concessão de cotas de bolsas de iniciação ao ensino, à pesquisa e inovação ou à extensão para pesquisadores da Unipampa consideram este aspecto. “Criamos um Grupo de Trabalho para debater o tema Mulheres na Ciência. Temos avançado muito nas discussões em como melhorar a ciência que fazemos, e isso perpassa por melhorar a forma com que a fazemos. Ainda há muito a ser feito, mas, para mim, este prêmio representa muito orgulho do trabalho do Parent e da Unipampa pelas mulheres mães na ciência!”, conclui ela.

Parent in Science

O Parent in Science já realizou pesquisas que demonstraram os impactos da maternidade na carreira das cientistas no Brasil, além de incentivar o desenvolvimento de políticas de apoio às mães cientistas, levando em consideração a intersecção com raça e todos os demais aspectos que impactam a maternidade. O movimento é formado por 17 pesquisadoras no núcleo central, porém, em 2019, teve uma expansão, englobando atualmente 72 embaixadoras de diversas universidades brasileiras.

As embaixadoras têm contribuído para criação de grupos de trabalho locais e para a proposição e implementação de políticas de apoio às mães e de enfrentamento à desigualdade de gênero na ciência. Em 2020, o movimento expandiu internacionalmente, através da fundação do Parent in Science Colombia, em parceria com cientistas colombianas.

Dentre as ações do Parent in Science, estão o pedido de inclusão do campo de licença-maternidade na plataforma do Currículo Lattes. A campanha #maternidadenoLattes ganhou força nas redes sociais e na grande mídia juntamente com uma carta assinada por diferentes sociedades científicas brasileiras em junho de 2018. Em abril de 2021, após quase três anos de negociações, o CNPq incluiu oficialmente a aba “Licenças” nos currículos Lattes, onde pode ser acrescentada a informação da licença-maternidade. Nestes últimos anos, o movimento tem também compilado iniciativas de apoio à maternidade nas instituições de pesquisa e ensino superior, e incentivado que estas iniciativas sejam amplamente adotadas. O cenário acadêmico brasileiro é meio de muita discriminação de gênero e raça, o que foi ainda mais agravado durante a pandemia. Por exemplo, dados do Parent in Science mostraram que somente 10% das pós-graduandas mães negras estavam conseguindo avançar nas suas dissertações e teses durante o período inicial de isolamento social. A partir disso surgiu o Programa Amanhã, que através de um financiamento coletivo, arrecadou mais de 120 mil reais. Este valor foi utilizado para apoiar financeiramente 28 mães nos meses finais de suas pós-graduações, a maioria mulheres negras ou indígenas e mães solo. Assim, a missão e as ações do Parent in Science focam no desenvolvimento de uma ciência mais justa, diversa e inclusiva.

 

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