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Data de Publicação 12/06/2019 - 11:59 Atualizado em 12/06/2019 - 14:51 1131 visualizações

Pesquisadora da Unipampa apresenta estudo sobre segurança e eficácia dos anti-hipertensivos no Ministério da Saúde

A pesquisa integrou a programação do Seminário sobre a Saúde da População Negra no Brasil
Por Franceli Couto Jorge

Na terça-feira, 11, a professora da Universidade Federal do Pampa (Unipampa), Jacqueline Piccoli, apresentou, no Seminário Final da Saúde da População Negra no Brasil, os resultados da pesquisa sobre o uso de anti-hipertensivos pela população negra. O evento ocorreu no Ministério da Saúde, em Brasília. O objetivo do estudo é estabelecer a epidemiologia da hipertensão na população negra da Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul, bem como, avaliar a eficácia e a segurança dos medicamentos anti-hipertensivos distribuídos pelo Programa do Governo Brasileiro Farmácia Popular.

A pesquisa, coordenada por Jacqueline, iniciou em 2013 com o apoio do Programa de Extensão Universitária do Ministério da Educação (Proext/MEC) e, em 2014, foi contemplada com o financiamento, por meio de Chamada Pública, do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico e do Ministério da Saúde (CNPq/MS), com execução de 24 meses. Dos oito pesquisadores selecionados na chamada, a professora da Unipampa é a única representante da Região Sul do Brasil no evento. Apesar dos resultados já conhecidos, o estudo segue em andamento.

Sobre a seleção do projeto na Chamada Pública nº 21/2014 (CNPq/MS), a professora explica que se tratava, especificamente, de estudos de avaliação da Política Nacional de Saúde Integral da População Negra. A intenção era produzir “conhecimentos para o aperfeiçoamento e a efetiva implementação de ações de promoção da saúde da população negra no Brasil e para a excelência dos serviços de atenção básica, de média e alta complexidade, no âmbito do Sistema Único de Saúde”.

Para a coordenadora da pesquisa, “é importante que a população e os profissionais de saúde saibam das especificidades no tratamento da população negra, inclusive há recomendações divulgadas na Política Nacional de Saúde Integral da População Negra”. No dia 30 de maio, os resultados do estudo foram expostos durante uma audiência pública realizada na Câmara de Vereadores de Uruguaiana.

 

Saiba mais sobre a segurança e a eficácia dos principais anti-hipertensivos

O estudo, desenvolvido por professores da Unipampa e de outras instituições, acompanhou mais de 200 pessoas autodeclaradas pretas ou pardas que fazem uso de anti-hipertensivos, distribuídos pelo Programa Farmácia Popular, na Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul. A maioria dos participantes é composta por mulheres.

Dados sobre os participantes da pesquisa sobre o uso de anti-hipertensivos pela população negra

Sobre a hipertensão, a pesquisa constatou altas taxas de falhas no tratamento. Além disso, comprovou que os pacientes têm dificuldade de adesão à terapia. Jacqueline afirma que “mesmo nos pacientes que apresentam boa adesão, a eficácia nem sempre é satisfatória”. A pesquisa mostrou que a maioria das pessoas em tratamento estava com doses apropriadas dos medicamentos, de acordo com as diretrizes atuais para tratamento da hipertensão, porém, ainda assim não atingiam o controle adequado. “Esses achados sugerem que não basta apenas que o paciente tenha acesso a medicamentos considerados ideais segundo protocolos vigentes, mas que é preciso um melhor monitoramento desse tratamento e adoção de estratégias que melhorem a adesão terapêutica”, alerta Jacqueline.

Em relação à segurança, o estudo mostrou que os anti-hipertensivos, que são amplamente distribuídos pelo Programa Farmácia Popular e usados pela população, são seguros no que se refere a possíveis efeitos de mudança celular. Quanto aos parâmetros genotoxicológicos, isto é, à capacidade de alguns agentes químicos danificarem a informação genética de uma célula, os resultados exigem atenção. Há alguns anti-hipertensivos - como os inibidores da enzina conversora da angiotensina (ECA) captopril e maleato de enalapril - que podem diminuir a visibilidade celular e causar danos em nível de DNA, conforme o aumento do pico plasmático. Já a hidroclorotiazida, pode gerar dano ao DNA independente dos níveis plasmáticos.

A pesquisa mostra, ainda, a prevalência da hipertensão arterial sistêmica na população estudada. Apesar de estarem em tratamento, 51% das pessoas acompanhadas têm hipertensão não controlada; 9% apresentam hipertensão resistente, isto é, um tipo raro de hipertensão que não é controlado mesmo com o uso de três ou mais medicamentos anti-hipertensivos de diferentes classes.

Pesquisa mostra que a maioria das pessoas estudadas apresenta hipertensão não controlada mesmo com o uso de medicamentos

Após a apresentação do estudo, em Brasília, os comitês avaliador e técnico do Sistema Único de Saúde (SUS) solicitaram os dados numéricos da pesquisa para o estabelecimento de novas diretrizes e recomendações para o tratamento e controle da hipertensão arterial sistêmica (HAS) em negros. “Estamos bastante satisfeitos. A Unipampa foi muito elogiada e o nosso trabalho recebeu avaliação final como excelente”, conta Jacqueline.

 

Conheça a equipe executora da pesquisa

Jacqueline da Costa Escobar Piccoli (coordenadora): graduada em Ciências Biológicas pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), mestra em Gerontologia Biomédica pelo Instituto de Geriatria e Gerontologia da PUCRS (2002) e doutora em Biologia Celular e Molecular pela PUCRS (2007). Realizou pós-doutorado na Universidade de León (Espanha), como bolsista da Capes (2008-2009). Atualmente é professora associada na Unipampa - Campus Uruguaiana.

Michel Mansur Machado: graduado em Farmácia e Bioquímica com habilitação em Análises Clínicas pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM, 2002), especialista em Laboratório Clínico (2005), mestre em Ciências Farmacêuticas pela UFSM (2007) e doutor em Ciências Biológicas (Bioquímica Toxicológica) pela UFSM (2010). Atua como professor adjunto na Unipampa.

Patrícia Dutra Sauzem: graduada em Farmácia Industrial pela UFSM (2003), mestra (2004) e doutora (2008) em Ciências Biológicas: Bioquímica Toxicológica, pela UFSM. Atualmente é professora adjunta na Unipampa - Campus Uruguaiana.

Vanusa Manfredini: graduada em Farmácia, ênfase em Análises Clínicas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS, 2002), mestrado (2004) e doutorado em Biologia Celular e Molecular pela UFRGS (2008). É pós-doutora em Ciências Farmacêuticas (2009) pela UFRGS. Atualmente é professora associada da Unipampa - Campus Uruguaiana.  Possui Bolsa de Produtividade PQ2.

Ivana Beatrice Mânica da Cruz: graduada em Ciências Biológicas pela UFSM, mestra e doutora em Genética e Biologia Molecular pela UFRGS. Realizou pós-doutorado na Universidade da Califórnia, Davis-USA. Atualmente é professora associada no Centro de Ciências da Saúde da UFSM. É pesquisadora produtividade científica do CNPq.

Matias Nunes Frizzo: graduado em Farmácia pela Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul (Unijuí, 2002) e em Farmácia - Análises Clínicas pela Unijuí (2004), mestre em Biologia Celular e Molecular pela PUCRS (2007) e doutor em Biologia Celular e Molecular pela PUCRS (2013). Atualmente é professor adjunto do Departamento de Ciências da Vida da Unijuí e atua também como professor colaborador no Programa de Pós-Graduação em Atenção Integral à Saúde (PPGAIS).

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