Início > Professor da unipampa e eleito presidente da international society biomechanics
Data de Publicação 07/08/2025 - 11:47 Atualizado em 07/08/2025 - 11:47 573 visualizações

Professor da Unipampa é eleito presidente da International Society of Biomechanics

Felipe Carpes será o primeiro latino-americano a presidir a entidade, consolidando a presença brasileira e da Unipampa na liderança científica global da área
Por Tamíris Centeno Pereira da Rosa

O professor da Universidade Federal do Pampa (Unipampa), Felipe Pivetta Carpes, docente do Campus Uruguaiana foi eleito presidente da International Society of Biomechanics (ISB), a principal entidade científica da área em nível mundial. A eleição é histórica: é a primeira vez que um latino-americano ocupa a presidência da ISB desde sua fundação, em 1973.

A posse oficial como presidente ocorreu durante o XXX Congresso da International Society of Biomechanics, realizado entre os dias 27 e 31 de julho de 2025, em Estocolmo, na Suécia. O evento reuniu os principais especialistas da área em escala global. Além do professor Carpes, a Unipampa também foi representada pelo técnico-administrativo em educação Dr. Marcos Kunzler, que desenvolve pesquisas na área de biomecânica e participou ativamente das atividades científicas do congresso. A presença de ambos foi viabilizada por meio de recursos de um projeto de pesquisa coordenado pelo professor Carpes, com fomento da Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

A chegada a presidência é resultado de uma trajetória consolidada na pesquisa e no ensino. Carpes atua desde 2009 na Unipampa, lecionando nos cursos de Educação Física e Fisioterapia. É bolsista de produtividade do CNPq, orientador de mestrado e doutorado em Ciências Fisiológicas, atual coordenador do Programa de Pós-Graduação Multicêntrico em Ciências Fisiológicas da Universidade e ex-presidente da Sociedade Brasileira de Biomecânica. Desde 2015, integra o Conselho Executivo da ISB.

A seguir, confira a entrevista concedida pelo professor à Assessoria de Comunicação da Unipampa:

Entrevista | Felipe Carpes

O que significa, para o senhor, ser eleito presidente da International Society of Biomechanics?

Essa eleição representa o reconhecimento de uma trajetória construída com muita dedicação à minha atuação como professor e cientista. É também um marco histórico para a área, pois, pela primeira vez, um latino-americano assume a presidência de uma sociedade que existe há mais de 50 anos.
Acredito que essa conquista tem um significado importante para cientistas de países em desenvolvimento, que muitas vezes enfrentam barreiras para alcançar posições de liderança em instituições internacionais.
Do ponto de vista pessoal, trata-se de um dos maiores desafios profissionais que já enfrentei. A presidência envolve liderança global, articulação com diferentes legislações, domínio de outros idiomas e participação em eventos internacionais. Esses são aspectos para os quais nossa formação acadêmica muitas vezes não nos prepara completamente.

Como foi o processo de eleição?

Fui indicado duas vezes para concorrer à presidência da ISB, disputando com colegas da Alemanha, Austrália e Portugal. A escolha é feita por meio de voto direto dos membros da sociedade. O mandato é dividido em três fases: presidente-eleito (2023–2025), presidente (2025–2027) e presidente-passado (2027–2029).

Qual é a importância da ISB no cenário mundial da biomecânica?

A ISB é a maior sociedade científica da área no mundo e tem um papel central no avanço da biomecânica em nível internacional. Foi fundada em 1973, nos Estados Unidos, com o objetivo de promover o estudo da biomecânica globalmente.
A sociedade estimula o intercâmbio entre cientistas de diferentes países e áreas como engenharia, fisioterapia, medicina, educação física, ciências do esporte e ergonomia. Possui 23 sociedades nacionais afiliadas e sete grupos técnicos de trabalho.
Além disso, organiza o Congresso Internacional de Biomecânica a cada dois anos — o próximo será em Sydney, em 2027.

Qual é a relevância de ter um brasileiro e, mais especificamente, um docente da Unipampa, ocupando essa presidência?

Essa conquista transcende a biomecânica. O Brasil tem uma das sociedades nacionais mais antigas da área, a Sociedade Brasileira de Biomecânica, com mais de 30 anos de existência.
Ter um brasileiro na presidência da ISB certamente impulsionará uma nova fase de crescimento da área no país e poderá inspirar outros países da América Latina.
Quanto à Unipampa, trata-se de uma instituição que enfrenta desafios diários, desde infraestrutura até orçamento e visibilidade. Mesmo assim, ao ter um docente eleito presidente de uma sociedade internacional, a universidade ganha projeção. Nosso nome passa a circular com mais frequência em eventos, publicações e documentos internacionais. As pessoas passam a reconhecer de onde somos e do que somos capazes.

Essa conquista tem potencial para abrir mais portas para pesquisadores e estudantes brasileiros?

Sem dúvida. Teremos mais brasileiros se sentindo representados na sociedade e, com isso, participando mais ativamente como membros.
A visibilidade da biomecânica brasileira favorece colaborações internacionais, intercâmbios e trocas de experiência. Para os estudantes, espero que isso sirva de inspiração para que assumam um papel ativo na comunidade científica, contribuindo para que futuras lideranças brasileiras se destaquem globalmente.

Quais são os principais desafios que o senhor prevê enfrentar durante sua gestão?

Estamos em processo de finalização do planejamento estratégico da ISB para os próximos 10 anos. Haverá mudanças na estrutura da sociedade e na relação com outras instituições e empresas.
Também estamos implementando um portfólio de equidade, diversidade e inclusão, com grande impacto nas ações futuras da sociedade.
Além disso, há o desafio de manter iniciativas como o apoio a estudantes e premiações científicas, o que exige criatividade diante da escassez global de recursos.
Do ponto de vista pessoal, como a atuação é voluntária e não há reembolso de custos, preciso buscar apoio para os deslocamentos internacionais, como já fiz com o CNPq. Considero que esse tipo de atuação também deveria ser apoiado institucionalmente pelas universidades.

Como a Unipampa contribuiu ou influenciou sua trajetória até aqui?

Sou muito grato à Unipampa. Quando cheguei, em 2009, não havia estrutura alguma para pesquisa. Hoje, temos um dos grupos mais produtivos do Brasil, com reconhecimento internacional.
É claro que muito foi construído com recursos externos, mas o apoio institucional foi fundamental, seja por meio de bolsas de iniciação científica, editais internos de fomento, projetos aprovados em agências como Capes, CNPq, Fapergs e Finep, ou pelo trabalho da Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação.

De que forma a universidade pode se beneficiar dessa nova posição de destaque internacional?

A Unipampa já vem colhendo frutos. Nosso grupo de pesquisa em Uruguaiana tem recebido estudantes e docentes de diversos países — Bélgica, Holanda, Alemanha, Espanha, Chile, Uruguai, Colômbia.
Com essa nova posição, o interesse pela universidade tende a crescer ainda mais. Espero que essa visibilidade beneficie outras áreas e setores da instituição. É uma oportunidade de mostrar o melhor da nossa universidade.

Que mensagem o senhor gostaria de deixar para os estudantes e colegas da Unipampa?

Aos estudantes, digo que estudar na Unipampa é uma oportunidade real de se conectar com o mundo. Participem de projetos, integrem-se a grupos de pesquisa, deem vida à universidade.
Cobrem de seus professores o compromisso com o conhecimento científico, com a pesquisa e com a extensão. Façam tudo com excelência.
Aos colegas docentes e técnicos, meu agradecimento a todos que se envolvem com a instituição para além dos muros dos campi. Quanto mais pessoas levarem o nome da Unipampa adiante, maior será o benefício para toda a nossa comunidade.

    • Docente da Unipampa toma posse como presidente da ISB em Estocolmo. Foto: divulgação
      Docente da Unipampa toma posse como presidente da ISB. Foto: divulgação
    • Docente da Unipampa toma posse como presidente da ISB em Estocolmo. Foto: divulgação
      Docente da Unipampa toma posse como presidente da ISB em Estocolmo. Foto: divulgação
    • Docente da Unipampa toma posse como presidente da ISB em Estocolmo. Foto: divulgação
      Docente da Unipampa toma posse como presidente da ISB em Estocolmo. Foto: divulgação