Reitor da Unipampa participa de agenda em Brasília sobre criação da Casa Museu Petronilha
Reunião trata de avanços no projeto, que envolve organização de acervo e possibilidade de transformar residência da professora em espaço museológico
Por Emanuelle Bueno
O reitor da Universidade Federal do Pampa (Unipampa), Edward Pessano, participa nesta terça-feira, 28, de agendas institucionais em Brasília. Antes da 186ª Reunião Extraordinária do Conselho Pleno da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), o reitor esteve em reunião com representantes da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização de Jovens e Adultos, Diversidade e Inclusão (Secadi), vinculada ao Ministério da Educação (MEC). A reunião tratou dos avanços no projeto de criação da Casa Museu Petronilha, iniciativa voltada à preservação do acervo da professora Petronilha Beatriz Gonçalves e Silva.
Além do reitor, estiveram presentes na reunião a diretora de Políticas de Educação Étnico-Racial e Educação Escolar Quilombola, Clélia Mara dos Santos, e a coordenadora-geral de Educação Étnico-Raciais, Lara Vilela. Segundo Pessano, o diálogo teve como foco o andamento do projeto, que prevê a organização, documentação e preservação do acervo pessoal e profissional da pesquisadora, com vistas à constituição de um espaço museológico.
De acordo com o reitor, a iniciativa já conta com um Termo de Execução Descentralizada (TED), mecanismo que permite a transferência de recursos para a Unipampa executar ações relacionadas ao acervo. “Estamos avançando na recuperação e organização de todo o material da professora Petronilha para transformá-lo em um acervo estruturado. Também há a possibilidade de transformar a casa da professora em um museu, o que envolve reforma, novos aportes de recursos, projetos e execução”, afirmou.
O projeto é desenvolvido em parceria com outras instituições e integra um esforço coletivo de valorização da trajetória intelectual e política da professora Petronilha, referência nacional nas áreas de educação e relações étnico-raciais. Em junho de 2025, a Unipampa firmou contrato com a Fundação de Amparo à Pesquisa e Extensão Universitária (FAPEU) para a execução do projeto “Profª Drª Petronilha Beatriz Gonçalves e Silva: Organização, Documentação e Preservação do Acervo Pessoal e Profissional”, com vigência até março de 2026.
Articulação interinstitucional
A construção da Casa Museu Petronilha tem sido pautada pela articulação entre universidades e órgãos federais. Em julho de 2025, a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) sediou o primeiro encontro do projeto, reunindo representantes da Unipampa, da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), do Instituto Federal do Rio Grande do Sul (IFRS) e da Secadi/MEC.
Na ocasião, a vice-reitora da Unipampa, Francéli Brizolla, participou da agenda e destacou a relevância da iniciativa para a valorização das trajetórias e saberes vinculados às políticas de equidade racial. “Agradeço à professora Marta Messias da Silveira, pioneira das ações afirmativas na Unipampa, que vem fazendo uma caminhada histórica de transformação da nossa instituição. Também quero dizer da emoção de ter a presença da professora Petronilha, pessoa cuja atuação marcou a trajetória de vida de muitas mulheres”, afirmou na ocasião.
A vice-reitora também reafirma a importância dos saberes ancestrais e da diversidade no ambiente acadêmico. “Antes de nós, estava todo mundo; estava a cultura e estava o povo”, declarou, ao enfatizar o papel das universidades na promoção da equidade e do reconhecimento de diferentes matrizes culturais.
Quem é a professora Petronilha?
Petronilha Beatriz Gonçalves e Silva nasceu em Porto Alegre, RS, em 1942, e é referência nacional na área da educação e das relações étnico-raciais. Licenciada em Letras e Francês, possui mestrado e doutorado em Educação e trajetória acadêmica consolidada no Brasil e no exterior. Atuou na Educação Básica, no ensino superior e em órgãos públicos, além de integrar o Conselho Nacional de Educação. Foi relatora das Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais, marco na educação brasileira. Pesquisadora e militante do movimento negro, tem ampla produção científica e participação na formulação de políticas públicas voltadas à equidade racial.
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