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Data de Publicação 02/09/2026 - 14:44 Atualizado em 02/09/2026 - 14:44 110 visualizações

Unipampa apresenta experiências de comunidades quilombolas do Pampa em fórum no Benim

Chefe da Divisão de Ações Afirmativas participou de painel sobre memória das pessoas escravizadas, resistências afrodescendentes e vínculos históricos entre Benim e Brasil
Por Tamíris Centeno Pereira da Rosa

Experiências relacionadas às comunidades quilombolas do Pampa brasileiro integraram os debates da 12ª edição do Fórum Mundial de Teologia e Libertação, realizada entre 31 de julho e 8 de agosto de 2026, em Cotonou, no Benim, na África Ocidental. A Universidade Federal do Pampa (Unipampa) participou da programação por meio da chefe da Divisão de Ações Afirmativas (Daaf), Elimara da Silva Gonçalves, vinculada à Pró-Reitoria de Comunidades, Ações Afirmativas, Diversidade e Inclusão (Procadi).

Gonçalves foi palestrante no painel “A memória das pessoas escravizadas, as resistências afrodescendentes e os vínculos entre Benim e Brasil”. A atividade reuniu reflexões sobre ancestralidade africana, educação, relações étnico-raciais, produção de conhecimento e políticas de ações afirmativas.

Durante a apresentação, foram abordadas experiências de comunidades quilombolas do Rio Grande do Sul, considerando os territórios como espaços de pertencimento, memória, resistência e construção de conhecimentos. A exposição também tratou do diálogo entre saberes ancestrais e acadêmicos e da participação da educação em processos de fortalecimento comunitário e afirmação identitária.

Outro aspecto apresentado foi a atuação das mulheres quilombolas na preservação da memória coletiva, na transmissão de conhecimentos entre gerações, na manutenção de práticas culturais e nos processos comunitários de liderança e tomada de decisão.

A apresentação também discutiu as políticas de ações afirmativas como instrumentos de enfrentamento das desigualdades históricas e de ampliação do acesso da população negra à educação, ao trabalho e aos espaços de gestão pública.

O convite para a participação partiu da professora Selenir Corrêa Gonçalves Kronbauer, uma das responsáveis pela organização do painel. Natural de Bagé, Selenir é pedagoga, mestre em Teologia, Religião e Educação e professora assistente da Escola Superior de Teologia (EST). Também coordena o Grupo Identidade e atua em temas relacionados à formação de professores, diversidade, relações étnico-raciais, educação e sociedade.

Realizado em conexão com o Fórum Social Mundial, o encontro teve como tema “Rejeitando a dominação econômica, política e religiosa: reimaginando a soberania em uma perspectiva de libertação”. A programação contou com atividades presenciais e virtuais e reuniu representantes de movimentos sociais, organizações da sociedade civil, pesquisadores e ativistas de diferentes países.

Entre os assuntos discutidos estiveram desigualdades sociais, econômicas, políticas e ambientais, justiça social, direitos humanos, soberania, igualdade de gênero, descolonização, religiões africanas e enfrentamento de diferentes formas de dominação. A programação também proporcionou o intercâmbio de experiências entre participantes de países e territórios marcados por processos de resistência e reivindicação de direitos.

A viagem representou a primeira experiência de Gonçalves em um país africano como representante de uma instituição pública brasileira. “Foi muito emocionante participar deste evento como gestora da PROCADI e estar na África, em um espaço que dialoga diretamente com tantos aspectos da nossa história e da nossa ancestralidade”, relata.

As despesas com passagens aéreas, hospedagem e parte da alimentação foram custeadas pela organização do evento.

    • Chefe da Divisão de Ações Afirmativas participou de painel sobre memória das pessoas escravizadas, resistências afrodescendentes
      Chefe da Divisão de Ações Afirmativas participou de painel sobre memória das pessoas escravizadas, resistências afrodescendentes e vínculos históricos entre Benim e Brasil