Unipampa tem patente concedida para dispositivo de desidratação híbrida de alimentos
A Universidade Federal do Pampa (Unipampa) teve concedida pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi) a patente de modelo de utilidade referente ao “Dispositivo para desidratação híbrida de alimentos naturais por meio de radiação de micro-ondas”. A carta-patente foi expedida em 16 de junho de 2026. A tecnologia foi desenvolvida no Campus Uruguaiana a partir de pesquisa realizada no Programa de Pós-Graduação em Bioquímica (PPGBioq) pelo pesquisador Alejandro Javier Alegre Reyes.
O dispositivo utiliza radiação de micro-ondas associada a um material denominado susceptor, capaz de absorver parte da radiação e convertê-la em calor. Com isso, o equipamento combina duas formas de aquecimento no mesmo sistema. O processo também utiliza vácuo, permitindo a retirada da água do alimento em temperaturas mais baixas.
“O equipamento foi totalmente adaptado para o processo de desidratação de alimentos naturais. Além das micro-ondas, utilizamos um material susceptor, que absorve parte da radiação e a transforma em calor. Dessa forma, temos duas fontes de calor dentro de um único sistema”, explica Reyes.
Segundo o pesquisador, a associação das tecnologias permite maior controle durante o processamento. “O sistema foi desenhado para trabalhar com vácuo e susceptor, o que faz com que a água saia do alimento em temperaturas mais baixas. Assim, é possível controlar melhor a potência e evitar que o alimento fique exposto ao calor por mais tempo”, afirma.
A redução do tempo de processamento foi um dos resultados observados durante os testes com o equipamento. “Nos testes, a mesma quantidade de uma amostra levou cerca de dez minutos para secar, enquanto, no método convencional utilizado em laboratório, o processo demorou mais de duas horas”, relata Reyes.
Pesquisa teve início no mestrado
O desenvolvimento do equipamento começou no segundo semestre de 2018, durante o mestrado de Reyes no PPGBioq. A pesquisa teve orientação do professor Elton Luís Gasparotto Denardin e coorientação do professor Vanderlei Folmer. A dissertação foi defendida em 2021.
A partir dos resultados dos experimentos e das adaptações realizadas no protótipo, os pesquisadores passaram a conduzir parte do desenvolvimento em sigilo para possibilitar a proteção da propriedade intelectual. Com o avanço dos estudos, a tecnologia deu origem ao pedido de patente posteriormente concedido pelo Inpi.
“A partir dos resultados experimentais, que evoluíam a cada teste, optamos por trabalhar em sigilo. Com o avanço das pesquisas e do protótipo, a tecnologia evoluiu até chegar ao pedido de patente”, explica o pesquisador.
A patente tem como inventores Reyes, Denardin e Folmer e como titular a Universidade Federal do Pampa.
Durante a pesquisa, o equipamento foi testado na desidratação de kiwi, banana e casca de laranja. As amostras foram avaliadas quanto à retirada de umidade.
Entre os produtos testados, a casca de laranja apresentou melhor comportamento durante o processo, em razão do menor teor de açúcares e da menor tendência ao escurecimento durante o aquecimento. Por essa característica, o material foi utilizado no aperfeiçoamento do modelo.
“O dispositivo foi testado com kiwi, banana e casca de laranja, e todos apresentaram resultados satisfatórios. A casca de laranja teve o melhor desempenho por possuir menor teor de açúcares e, consequentemente, menor tendência ao escurecimento durante o aquecimento”, detalha o pesquisador.
Reyes ressalta ainda que a aplicação do método a outros produtos exige ajustes. “Para novos alimentos, é necessário elaborar metodologias de desidratação individualizadas, considerando as características específicas de cada produto”, afirma.
Possibilidades de aplicação
A tecnologia foi desenvolvida inicialmente para a desidratação de alimentos naturais e pode ser utilizada em estudos relacionados à secagem e à conservação de frutas, vegetais e outras matérias-primas.
Segundo o pesquisador, o sistema também apresenta possibilidades de adaptação para outros tipos de materiais. “A tecnologia pode ser utilizada na secagem e conservação de frutas, vegetais e outras matérias-primas naturais, com um processo mais rápido e controlado. O conceito também pode ser estudado para aplicações nos setores químico e farmacêutico, por exemplo, na secagem de extratos vegetais, plantas medicinais, pós, insumos químicos e materiais sensíveis ao calor”, explica.
O equipamento também passou por novas adaptações para pesquisas envolvendo a extração de óleos essenciais de produtos naturais no Laboratório de Estudos Físico-Químicos e Produtos Naturais (LEFQPN), no Campus Uruguaiana. Os estudos integram a continuidade da pesquisa desenvolvida por Reyes no doutorado.
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