Na noite de quarta-feira, 15 de abril, foi realizada a cerimônia de premiação do Concurso Cultural Pindorama, 2025/2026, promovido pela Universidade Federal do Pampa, Unipampa, em parceria com a Universidade Federal da Integração Latino-Americana, UNILA, Universidade Federal de Pelotas – UFPEL, Universidade Federal Fronteira Sul – UFFS e Universidade Tecnológica Federal do Paraná – UTFPR. O concurso tem como objetivos principais incentivar a reflexão artística e valorizar a produção cultural local e regional. O Prêmio é concedido desde 2021 e costuma abordar assuntos que instiguem o pensamento crítico diante de temáticas sociais.
Na edição de 2025/2026, a proposta para reflexão foi “Cultura e Clima: Artes para reimaginar futuros”. As categorias em que os participantes poderiam inscrever seus trabalhos foram divididas em: poesia, fotografia, curta-metragem, videodança, vídeo-carta e música. Cumpre salientar que as inscrições eram gratuitas e poderiam concorrer: participantes da comunidade externa às instituições de ensino – pessoas sem vínculo com as universidades promotoras, acadêmicos da Unipampa e Universidades parceiras (UNILA, UFFS, UFPR, UTFPR e UFPel), servidores das Universidades envolvidas no projeto e estudantes de ensino médio.
Na categoria poesia, o professor Marcelo Rocha, da Unipampa, São Borja, recebeu o primeiro lugar com o poema “O clima ao avesso”, em segundo lugar ficou o servidor Leandro Silveira Fleck, de Itaqui, com o poema “Pra que serve a poesia?”. O professor Marcelo já havia participado de outras edições do prêmio, recebendo o primeiro lugar nos anos de 2021, com o texto “Panelaço” e, em 2024, com o poema “Antes que desabe o céu”. Marcelo Rocha é professor do Curso de Publicidade e Propaganda, escritor e atua na Unipampa, Campus São Borja, desde 2008.
Confira, abaixo, o poema premiado:
O clima ao avesso
O rio que atravessa
esse poema ao meio
corre em seu próprio leito,
com águas que já não bebo,
e margens em desalento.
A ave que cruza esse céu de cinzas
voa meio sem jeito.
A fumaça sufoca a poesia,
foge todo o passaredo,
some o canto da cotovia.
A chuva que molha este texto que escrevo
carrega ácido e medo;
em um pesadelo que já conheço
por mãos de metal e cobre
e um clima pelo avesso.
No espelho em que vejo esse mundo doente
todos pagamos o preço;
a humanidade que sente,
pois somos parte do mesmo mundo
e o mundo é parte da gente.
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