Em 06 de abril de 2026, a primeira reitora da Unipampa - profa. Maria Beatriz Moreira Luce, em visita ao campus Uruguaiana, participou da roda de conversa Reencontros: celebrando nossa história e quem nos ajudou na construção. Luce foi reitora pro tempore da Unipampa no período 2008 a 2011 e também foi presidente da comissão de implantação da Unipampa em 2007.
Conforme registros fotográficos abaixo, participaram da roda de conversa juntamente com a profa. Maria Beatriz: o prof. Elton Luis Gasparotto Denardin, que foi coordenador acadêmico no campus Uruguaiana de 02/2009 a 01/2013; a profa. Francielli Weber Santos Cibin que foi vice-diretora a partir de 06/2007 do então em implantação Centro de Ciências da Saúde de Uruguaiana (Unipampa/UFSM), passando a diretora do campus Uruguaiana no período de 07/2008 a 01/2009; a profa. Cheila Denise Ottonelli Stopiglia, atual diretora do campus Uruguaiana; a profa. Claudette Isabella Santi Angeli Pozzato Funghetto que foi coordenadora do curso de Agronomia em Itaqui e atualmente integra o quadro docente do campus Uruguaiana da Unipampa; o prof. Franck Maciel Peçanha, atualmente Pró-Reitor na Pró-Reitoria de Extensão e Cultura (PROEC) da Unipampa; o prof. Fábio Gallas Leivas, atual Pró-Reitor de Pesquisa e Pós-Graduação da Unipampa; e, a profa. Daniela dos Santos Brum que faz parte do primeiro grupo de professores concursados que ingressaram ainda no ano de 2006 no então Centro de Ciências da Saúde de Uruguaiana (Unipampa/UFSM), atualmente campus Uruguaiana da Unipampa. A profa. Pâmela Billig Mello Carpes, diretora de assuntos interinstitucionais e internacionais da Daiinter/Unipampa, introduziu a roda de conversa e pontuou que é um momento de diálogo sobre a história da Unipampa. O prof. Felipe Pivetta Carpes, na primeira fila do auditório, também contribuiu como mediador da mesa-redonda. O atual coordenador acadêmico do campus Uruguaiana da Unipampa, prof. Fabrício Desconsi Mozzaquatro esteve presente, compondo com outros professores, técnicos-administrativos em educação e discentes a plateia no evento. O grupo na plateia teve oportunidade de interação e trouxe contribuições ao momento.
Iniciando a conversa, Luce trouxe memórias do período de implantação da Unipampa em geral e do campus Uruguaiana especificamente. Contou que os cursos de graduação começando com 3 ou 4 professores, já elegiam o coordenador do curso. Citou as primeiras eleições planejadas para as gestões dos campi, a eleição do primeiro conselho universitário, a elaboração do estatuto e dos regimentos da Unipampa. Resgatou que a implantação da Unipampa foi inicialmente tutorada por duas universidades, cada uma ficando com a tutoria de cinco campi, mas que não demorou muito para a Unipampa ter sua autonomia. Destacou que a Unipampa faz parte de um movimento de interiorização da educação pública superior no Brasil, com projeto de gestão democrática. Apontou sobre o potencial de uma universidade federal multicampi na região, e que, por ter sido reitora da Unipampa, integra atualmente grupo de ex-reitores de universidades federais que se articula em prol do fortalecimento da educação superior pública.
A profa. Francielli Cibin comenta que a presença da profa. Maria Beatriz traz lembranças da trajetória da Unipampa.
O prof. Felipe Pivetta Carpes tece comentários sobre participação nos primeiros Consunis, sobre participação em comissões, sobre o tempo que passou e os aprendizados. Pergunta para Luce sobre a sua impressão ao chegar aqui, considerando o início deste campus e o momento atual.
Maria Beatriz disse ficar muito emocionada, que houveram dificuldades específicas na implantação deste campus. Que para o início dos campi da Unipampa havia articulação com os governos locais/prefeituras para destinação inicial de espaço para o início das aulas e para destinação de terreno/espaço para uma futura sede própria para cada campus. Que, num primeiro momento, este campus da Unipampa tinha tutoria por parte da UFSM, que se delineou como apoio nos primeiros concursos, nas primeiras construções, nas primeiras compras de equipamentos para o campus. E, aí, o que aconteceu com este campus? Houve início de construção de edificação em terreno que seria para este campus, o qual foi identificado com problema, ocorrendo a suspensão da obra. Assim, com as aulas dos três primeiros cursos do campus em andamento em uma sede provisória com algumas salas de aula e com pouco espaço para instalação de laboratórios específicos, importantes como infraestrutura de ensino dos cursos da área da saúde, e diante de problema com o espaço que seria para sede própria deste campus, Luce aponta que foi necessário ir em busca de alternativas para o desenvolvimento das atividades que precisavam de laboratórios. Assim, refere que foi endereçado diálogo com a PUCRS para que os cursos de graduação da Unipampa pudessem fazer uso de laboratórios do campus Uruguaiana da PUCRS. Nessa trajetória, acabou por ocorrer a oportunidade de aquisição das edificações do campus Uruguaiana da PUCRS para a Unipampa, sendo a mudança de domínio do terreno do campus Uruguaiana da PUCRS para o campus Uruguaiana da Unipampa aprovada pela Assembléia Legislativa do RS. Assim, com termo de convênio firmado entre as duas instituições, as mesmas conviveram no espaço do campus enquanto ocorria a integralização curricular dos cursos de graduação em encerramento pela PUCRS neste campus. Desse modo, com a compra dos investimentos feitos pela PUCRS relativos a edificações e mobiliário, o local passa a ser a sede do campus Uruguaiana da Unipampa.
A seguir, na roda de conversa, o prof. Franck Maciel Peçanha se manifesta, destacando que a Unipampa faz parte de um processo nacional de popularização e democratização do ensino universitário, mas que para que a Unipampa exista hoje, neste tempo/espaço, houveram mobilizações da sociedade em prol da sua viabilização. Que depois de iniciada a implantação da Unipampa, citando especificamente o histórico deste campus, ações/protestos foram realizados para que houvesse a composição de quadro docente suficiente para os cursos (luta pela falta relevante de docentes para integralização dos cursos, ainda durante a implantação dos três primeiros cursos deste campus). Já estando no espaço atual deste campus, aconteceram movimentos estudantis para melhoria do transporte público para o campus, para melhorias no restaurante universitário, dentre outros. Comenta, assim, que a Unipampa existe há alguns, mas que houveram mobilizações populares para que ela fosse criada. Franck endereça a Maria Beatriz, o que ela poderia falar sobre essa luta histórica.
Maria Beatriz diz que a vida é feita de projetos. Que precisamos ter utopia, no sentido de ideia plantada no horizonte. Que não é algo sem base, sem estrutura, mas é algo mais, que essa utopia é uma sociedade de direitos, uma sociedade mais forte. Que, às vezes, se conquista alguma coisa e se acomoda, e não disputa a igualdade. Cita, então, que se lembra dos primeiros ciclos de formatura na Unipampa, que aconteceram em paralelo a várias atividades de uma universidade nova, de construir prédios, de comprar equipamentos, de entrar em editais da FINEP, do CNPq, de processos seletivos para professores, para técnicos. Informa que houve o empenho em realizar as formaturas de maneira equânime, no melhor local que fosse possível para cada campus. Que a formalidade da formatura é função pública, e não deveria haver diferença de um campus para outro. Que as primeiras formaturas da Unipampa foram realizadas em CTGs, em cinemas que estavam desativados, em auditórios de escolas, em salões, numa concepção de direitos e igualdade de condições. Que, nas universidades federais, entra-se gratuitamente e, sai-se titulado, diplomado, em igual condição. E, então, falando ainda sobre a questão de concepção de direitos e igualdade de condições, menciona a compra dos primeiros equipamentos na Unipampa “para colocar na mão de todos os alunos os mesmos recursos”, sobre ter internet acessível para todos, e entende que os desafios são esses e, de se ter uma concepção do que é prioridade para se poder ter igualdade de condições.
A seguir, a profa. Claudete se manifesta na roda de conversa: que no início do campus Itaqui tinha três ou quatro salas numa escola, três ou quatro salas em outra. Que os alunos cobravam pela questão da infraestrutura. Que ela tinha experiências anteriores em institutos federais, mas que na Unipampa, sendo coordenadora do curso de Agronomia da Unipampa em Itaqui, teve que se trabalhar gestora.
Maria Beatriz disse que os discentes cobravam com razão a questão da infraestrutura, mas que por outro lado, era melhor do que nada, e que se ia melhorando a cada dia. Que os pioneiros professores, laboratoristas, pessoal de secretaria, etc, foram muito valentes, disse.
A profa. Claudete prossegue a sua fala: que no início a infraestrutura era pouca, que havia sim apontamentos de várias demandas, mas que antes para frequentar uma universidade pública tinha que ir para Santa Maria, para Porto Alegre. E que hoje, a Unipampa tem egressos passando em concursos na UFRGS, na UFSM,…
Luce em sequência diz: … e no mundo. Diz também, que, no entanto, quem quer continuar na região, ou veio de longe e gostou, também tem que encontrar lugar. Tem que encontrar formas de fazer.
A profa. Cheila, diretora atual do campus Uruguaiana, diz que perguntam bastante para ela do curso de Medicina: quantos discentes são de Uruguaiana, quantos são os que ficam aqui? Salienta, então, que a universidade gera justamente essas oportunidades, tanto das pessoas permanecerem aqui, quanto buscarem colocação profissional em outros lugares.
Trazendo memórias, a profa. Maria Beatriz diz que a UFRGS antes de ser federal foi estadual e antes de ser estadual foi a Universidade de Porto Alegre. Cita que a Ufpel e a UFSM também tiveram seus percursos constitutivos.
Uma aluna pede para se manifestar, sob o ponto de vista de discente. Atualmente, cursando doutorado, trouxe a visão da universidade pública e da comunidade discente que a constitui e das contribuições para a sociedade e para a comunidade local. Nesse sentido, cita a extensão, as práticas extensionistas, a importância destas. Além disso, fala sobre quantas pessoas hoje conseguem fazer uma graduação pela existência da Universidade Federal do Pampa na região. Destaca também, que já existem egressos da Unipampa que passaram em concurso para professor aqui e que vão contribuir para formação de novos profissionais, que daqui há pouco podem se tornar colegas, também. Então, que isso é o mais legal e especial com a existência da Unipampa aqui, diz. As oportunidades que a Unipampa gerou e gera, das pessoas que conseguem frequentar uma universidade e sobre contribuir para a sociedade e para a comunidade local.
O prof. Franck Peçanha, resgatando o tópico das práticas extensionistas citado pela discente, diz por oportuno informar que é feito acompanhamento dos dados de extensão, e que no ano de 2025 a Unipampa fez entre 750.000 a 800.000 horas em ações de extensão, e que, no campus Uruguaiana, foram cerca de 80.000 horas. Que em 2021, quando foi aprovada a resolução da extensão, lá para os 10%, se criou a Unipampa Cidadã, onde todo aluno da Unipampa tem que realizar no mínimo 60 horas e no máximo 120 horas de trabalho comunitário.
Maria Beatriz destaca: obrigatório, não é gostar de fazer.
Franck continua: o impacto disso...
Maria Beatriz diz: é social, é direto. E para o conjunto da população. Tem que escolher bem os projetos, disse. Que esta é a razão: é um bem, é um benefício a alguma coisa de valor para todos.
O prof. Felipe Carpes, já encaminhando para o encerramento desse momento de memórias, diz que o campus Uruguaiana tem várias perspectivas futuras. Que mensagem ela deixaria, “para mais vinte anos”, “porque afinal de contas a Unipampa estará completando 20 anos”1?
Maria Beatriz diz que é importante ter projetos, projetos coletivos. Que tem certa preocupação, que ao mesmo tempo que as tecnologias foram facilitando a comunicação, algumas vezes a comunicação pode ser mais breve, sem profundidade. Que tem que haver reuniões, trabalho coletivo de densidade, de discutir projeto, de se unir, ter coesão, solidariedade, de ir ao debate das ideias e projetos.
1 Este "Reencontro/momento de memórias" acontece próximo ao aniversário de 20 anos do início/implantação do Centro de Ciências da Saúde de Uruguaiana, atualmente, campus Uruguaiana da Unipampa. As primeiras graduações ofertadas, a saber, Enfermagem, Farmácia e Fisioterapia, tiveram o começo do primeiro semestre letivo em 16 de outubro de 2006.
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