Acadêmicos da especialização em Educação Ambiental participam de viagem de estudos ao Cerro do Jarau
Uma turma de discentes do curso de pós-graduação lato sensu em Educação Ambiental da Universidade Federal do Pampa (Unipampa) participou, no sábado, 28, de uma viagem de estudos ao Cerro do Jarau, em Quaraí, no Rio Grande do Sul. A atividade, vinculada à disciplina de Legislação Ambiental, foi coordenada pela professora Claudete Izabel Funguetto. O curso é ofertado no Campus Uruguaiana.
Conforme a coordenadora da viagem, o objetivo da atividade foi o de conhecer o Cerro do Jarau, que é caracterizado como uma possível estrutura de impacto meteorítico, bem como visualizar o ecossistema local, em especial a flora, a fauna e os cursos d’água. Segundo Claudete, “no mundo foram identificadas até o presente 188 estruturas de impacto na superfície terrestre, a maioria – mais de 90% – está na América do Norte, Europa e Austrália. No Brasil, apenas seis crateras de impacto já tiveram sua origem confirmada: Domo de Araguainha (GO-MT); Serra da Cangalha (TO); Riachão (MA); Santa Marta (PI); Vista Alegre (PR); e Vargeão (SC)”. No entanto, há outras crateras sendo estudadas, sem que haja até o momento feições indicativas de choque, dentre elas está o Cerro do Jarau. “A proximidade com um desses raros patrimônios materiais no mundo e no Brasil é um privilégio”, afirma a docente.
Sobre a importância de se promover atividades práticas para os discentes, Claudete destaca que “a viagem de estudos proporcionou fazer a relação entre os diversos estudos acadêmicos sobre o local sob diferentes aspectos, desde a geologia, a história, as ciências naturais os aspectos culturais dos habitantes mais antigos até os atuais”. Além disso, a docente afirma que “serviu também para realimentar o imaginário, sobre as lendas para as novas gerações, já que a maioria dos pós-graduandos exerce a docência em escolas do município e do estado, participando diretamente da formação educativa de crianças, jovens e adolescentes”.
Para o discente do curso, Newton Moraes, “esse tipo de atividade só vem a somar e qualificar nossa pós-graduação e ratificar a grande responsabilidade que temos como o meio ambiente”. A estudante Pâmela Tasca de Carvalho concorda com o colega e afirma que a viagem agregou conhecimento importante para a formação. “Sendo futuros educadores ambientais, conhecer as lendas e marcos históricos que nos rodeiam é importantíssimo. Devemos sempre valorizar a nossa região e ensinar aos nossos futuros alunos a importância de preservar o meio ambiente para que todos tenham acesso”. A futura especialista complementa: “Observamos as formações rochosas compostas pela queda do meteorito e realizamos uma caminhada até o topo, a experiência foi maravilhosa, o local transmite uma sensação de paz".
Assuntos estudados
De acordo com a docente, a visita ao Cerro do Jarau possibilitou conhecer a topografia, a flora, a fauna e as sangas as que constituem a paisagem local. Claudete explica que o Cerro do Jarau ainda não constitui uma Unidade de Conservação, porém, tramita uma proposta de criação de uma Unidade de Conservação na região. Esta demanda foi apresentada pelo Movimento Transfronteiriço ao Governo do Estado do Rio Grande do Sul em 2009, sendo reiterado em 2011, devido à necessidade de ampliação das áreas protegidas no Bioma Pampa.
Conforme o Movimento, a área apresenta ao menos três aspectos que se destacam como justificativa para constituição de uma Unidade de Conservação: abriga o astroblema do Jarau (formação originada por impacto de meteorito) e ecossistemas representativos do Pampa (campos, campos rupestres, matas ciliares e capões de mata, parque de inhanduvá e cursos d’água), além de possuir significado histórico-cultural para o povo gaúcho.
Lendas do Cerro do Jarau
Além dos aspectos técnicos, a viagem também oportunizou o conhecimento sobre as lendas do Cerro do Jarau, local que serviu de inspiração para a lenda gauchesca da Salamanca do Jarau – também conhecida como Teiniaguá – narrada na obra Lendas do Sul, do escritor João Simões Lopes Neto, publicada em 1913.
“Na área do Cerro do Jarau localizava-se a estância de Bento Manuel Ribeiro, personagem importante da Revolução Farroupilha, que de acordo com a lenda teria feito um pacto com Teiniaguá, um ser mítico com diversos poderes que viveria em uma gruta no Cerro do Jarau, trocando sua alma por riqueza, poder e sucesso nas campanhas militares”, conta Claudete. A gruta é chamada Salamanca do Jarau.
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