Início > Professora da unipampa e diplomada membro afiliado da academia brasileira de ciencias
Data de publicação 16/09/2019 - 14:01 Atualizado em 16/09/2019 - 14:52 511 visualizações

Professora da Unipampa é diplomada membro afiliado da Academia Brasileira de Ciências

Por Tamíris Centeno Pereira da Rosa

A professora do Curso de Farmácia e do Programa de Pós-graduação em Bioquímica da Universidade Federal do Pampa (Unipampa), Daiana Silva Avila, foi eleita neste ano como Membro Afiliado da Academia Brasileira de Ciências (ABC). Ávila é a primeira docente da Unipampa a fazer parte da ABC. A diplomação aconteceu na última terça-feira, 10, durante um Simpósio.

Na definição da Academia Brasileira de Ciências, membros afiliados são jovens pesquisadores de excelência, com menos de 40 anos, que fazem parte dos quadros da ABC por um período de cinco anos, não renováveis.  Os Membros Titulares elegem até cinco afiliados para cada uma das regionais da ABC. “Me senti muito honrada primeiro em ter sido indicada pelo meu ex-orientador e grande mentor, o prof. Dr. João Batista Teixeira da Rocha, e depois por ter sido eleita, pois tenho certeza que outros ótimos pesquisadores foram indicados. Dos 5 eleitos no RS, apenas uma mulher, o que me chamou bastante a atenção considerando que aproximadamente 50% dos pesquisadores formados no RS e da minha faixa etária são mulheres”, destacou a pesquisadora. 

Ávila conta que é uma honra representar a Unipampa na ABC. “Uma conquista dessas é resultado de toda uma trajetória, anos de alguns sacrifícios pessoais e muita dedicação a este trabalho que tem muitos desafios mas que amo muito. Não é um resultado individual, pois nunca fazemos ciência sozinhos. Tive e tenho excelentes alunos que são muito dedicados ao nosso grupo de pesquisa e são minha fonte de motivação. Tenho ótimos colaboradores dentro e fora da UNIPAMPA que fornecem os compostos, extratos, nanopartículas e outros materiais para nossos trabalhos e com quais estou sempre interagindo e discutindo ciência (não só!). Sem eles, não seria possível ter êxito como cientista. Sou muito grata a todas as pessoas que trilharam este caminho comigo”, disse ela.

Os membros afiliados participam de ações de formulação de políticas de pesquisa no Brasil, em ações para divulgação científica para aproximar a ciência da sociedade. “Participamos de grupos de estudo para elaborar politicas públicas que tragam desenvolvimento nacional e também há um grupo que tem trabalhado com o estímulo da participação de meninas na ciência”, contou ela.

A pesquisadora conta que gostaria de contribuir com uma maior divulgação e aplicação de modelos alternativos, especialmente na área de toxicologia, que é um tema que já vem sendo trabalhado por ela. “O Brasil ainda está engatinhando no uso destes modelos, que são amplamente adotados em países mais avançados cientificamente. Também quero seguir atuando em ações de estímulo e atração de meninas na ciência. Aqui na Unipampa nos reunimos em um grupo chamado ‘Cientistas do Pampa’ e temos feito algumas ações neste sentido”, explica Ávila.

No ano de 2018 o grupo, liderado pela professora Eliade Lima, e com a participação de Ávila, executou um projeto chamado “Energéticas”, que recebeu recursos do Edital Elas nas Exatas (Fundo Elas, Instituto Unibanco e Fundação Carlos Chagas) e foi um grande sucesso. “A maioria das meninas que participaram do projeto de extensão foi aprovada em instituições de ensino superior, incluindo a Unipampa e já estão pensando em trabalhar com projetos de pesquisa nas diferentes áreas do conhecimento. A professora Márcia Barbosa, que faz parte da diretoria da ABC, esteve conosco ano passado e elogiou muito as nossas ações, afinal a diversidade em qualquer âmbito da sociedade só traz desenvolvimento ao país”, completou ela.

Ávila ressalta que mais especificamente as ações pretendem desenvolver a região do Pampa, onde a cultura machista ainda afugenta as mulheres, segundo ela. “Em relação à nossa região também, acho que é a primeira vez que teremos uma representação do Pampa na ABC. Neste sentido, espero, se assim for possível, ser porta-voz da UNIPAMPA dentro da ABC e levar algumas demandas que sejam da alçada da entidade para discussão. Como, por exemplo, elaboração de políticas para atração e fixação de doutores nesta região; um olhar diferenciado programas de pós-graduação que estão afastados das grandes cidades, com maior número de bolsas aos pós-graduandos; distribuição de recursos financeiros focados no desenvolvimento desta região”. 

Tags: Uruguaiana