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Data de publicação 15/09/2021 - 09:21 Atualizado em 15/09/2021 - 09:21 28 visualizações

Pesquisa da Unipampa: Nova espécie de pterossauro brasileiro lança luz sobre bizarro grupo de répteis alados

Primos distantes dos dinossauros, os pterossauros foram os primeiros vertebrados a alcançar os céus: desenvolveram o voo ativo aproximadamente 80 milhões de anos antes das aves. Estes animais extraordinários podiam chegar ao tamanho de pequenos aviões, e muitas vezes exibiam gigantescas cristas no topo da cabeça, que eram provavelmente utilizadas para atrair parceiros.

É no Nordeste Brasileiro, particularmente na região da Chapada do Araripe, que os fósseis de pterossauros mais bem preservados do mundo são encontrados. Os paleontólogos já classificaram dezenas de espécies desse grupo para a região, e novidades continuam aparecendo. Esse é o caso de Kariridraco dianae, o novo pterossauro brasileiro, descrito por pesquisadores da Universidade Federal do Pampa (Unipampa) (RS) e do Museu Nacional (RJ). O nome vem dos índios Kariris, originários da região, e de draco, palavra latina para dragão. A espécie também homenageia Diana Prince, a Mulher Maravilha dos quadrinhos.

O estudo apresentando a nova espécie acaba de ser publicado no periódico científico Acta Palaeontologica Polonica. Além de descrever em detalhe o novo bicho, os paleontólogos foram capazes de rastrear a origem dos tapejarídeos, um estranho grupo de pterossauros que ostentavam imensas cristas em suas cabeças. E o Kariridraco não era exceção.

“O novo bicho, assim como os demais tapejarídeos, também possuía uma bizarra crista óssea no topo do crânio. Nossa melhor hipótese é a de que o animal usava a estrutura para atrair parceiros e se comunicar com outros da mesma espécie” conta Gabriela Menezes Cerqueira (UNIPAMPA/UFSM), primeira autora do trabalho.

Embora conhecido apenas pelo seu crânio e algumas vértebras do pescoço, os cientistas estipulam que o bicho poderia chegar até a três metros de envergadura. Seu bico sem dentes era adaptado para buscar alimentos, provavelmente pequenos animais, à beira de corpos d’água, semelhante ao que fazem as garças modernas. O novo fóssil está depositado no Museu de Paleontologia de Santana do Cariri, bem próximo do local onde foi encontrado.

“O Kariridraco vai ficar para sempre disponível para visitação e estudo no Museu de Santana do Cariri, um exemplar centro de pesquisa no interior do Ceará”, conta o professora da Unipampa, Felipe Pinheiro, que também assina o novo estudo. “Fósseis brasileiros devem permanecer no Brasil, onde são não apenas objeto de estudos científicos, mas também patrimônio cultural”, conclui Felipe.

O novo estudo também mostra que os tapejarídeos provavelmente se originaram na América do Sul, posteriormente se espalhando por todo o planeta. Fósseis destes animais são encontrados em lugares tão longínquos quanto a China e o Marrocos.  

 

Com informações de Felipe Pinheiro